segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

CALVINISMO E POLÍTICA por Rev. Prof. Dr. Alderi Souza de Matos

Estudiosos de diferentes matrizes têm reconhecido a decidida contribuição prestada pelo movimento calvinista ao aperfeiçoamento das instituições políticas do mundo ocidental. As noções reformadas sobre a ordem política foram inicialmente articuladas por João Calvino e posteriormente aprofundadas em alguns pontos e modificadas em outros pelos seus sucessores.

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Calvinismo Versus Modernismo - A. Kuyper

Um viajante do velho continente europeu, desembarcando no litoral deste Novo Mundo, sente-se como o salmista que diz, “Seus pensamentos amontoam-se sobre ele como uma multidão.” Comparado com o turbilhão de águas de seu novo rio de vida, o velho rio, no qual ele estava em movimento, parece quase congelado e sem graça; e aqui, em terras americanas, pela primeira vez, compreende como tantas potências divinas, que estavam escondidas longe no seio da humanidade de nossa própria criação, mas que nosso velho mundo foi incapaz de desenvolver, estão agora começando a descobrir seu esplendor interior, prometendo assim um depósito de surpresas ainda mais rico para o futuro.

Contudo, vocês não me pediriam para esquecer a superioridade que, em muitos aspectos, o Velho Mundo pode ainda reivindicar, aos seus olhos tanto quanto aos meus. Mesmo agora a velha Europa continua portadora de um passado histórico muito longo, e portanto, coloca-se diante de nós como uma árvore enraizada muito profundamente, escondendo entre suas folhas alguns dos mais maduros frutos da vida. Vocês ainda estão em sua Primavera – nós estamos passando por nosso Outono; - e a colheita do Outono não tem um encantamento próprio?

Mas, embora, por outro lado, eu reconheça plenamente a vantagem que vocês possuem no fato que (para usar outra símile) o trem da vida viaja com vocês tão imensuravelmente mais rápido do que conosco, - deixando-nos milhas e milhas atrás, - contudo ambos sentimos que a vida na velha Europa não é algo separado da vida aqui; ela é uma e a mesma corrente da existência humana que flui através de ambos os continentes.

Em virtude de nossa origem comum, vocês podem chamar-nos ossos de seus ossos – nós sentimos que vocês são carne de nossa carne, e ainda que vocês estejam nos superando de modo mais desalentador, vocês nunca esquecerão que o berço histórico de sua maravilhosa juventude continua em nossa velha Europa, e foi embalado gentilmente em minha outrora poderosa terra natal.

Além disso, ao lado desta ascendência comum, há outro fator que, mesmo diante de uma diferença mais ampla, continuaria a unir seus interesses aos nossos. Muito mais precioso para nós que o desenvolvimento da vida humana, é a coroa que a enobrece, e esta nobre coroa da vida para vocês e para mim repousa no nome cristão. Esta coroa é nossa herança comum. Não foi da Grécia ou de Roma que saiu a regeneração da vida humana; - esta metamorfose poderosa remonta-se a Belém e ao Gólgota; e se a Reforma, em um sentido ainda mais especial, reivindica o amor de nossos corações é porque ela tem dispersado as nuvens do sacerdotalismo, e tem novamente revelado a mais plena visão das glórias da cruz. Mas, em oposição mortal a este elemento cristão, contra o próprio nome cristão e contra sua influência salutar em cada esfera da vida, a tempestade do Modernismo tem agora surgido com intensidade violenta.

Em 1789 o ponto crucial foi alcançado. O grito furioso de Voltaire, “Abaixo com o salafrário”, foi apontado para o próprio Cristo, mas este grito era simplesmente a expressão do pensamento mais oculto do qual nasceu a Revolução Francesa. O protesto fanático de um outro filósofo, “Não precisamos mais de Deus”, e o lema odioso, “Nenhum Deus, nenhum senhor”, da Convenção; - foram os lemas sacrílegos que naquele tempo anunciaram a libertação do homem como emancipação de toda autoridade divina. E, se em sua sabedoria impenetrável, Deus empregou a Revolução Francesa como um meio para destruir a tirania dos Bourbons, e trazer um julgamento sobre os príncipes que abusavam de suas nações como seus escabelos, entretanto o princípio do qual a Revolução surgiu continua completamente anticristã, e desde então tem se espalhado como câncer, dissolvendo e corroendo tudo quanto está firme e consistente diante de nossa fé cristã.

Não há dúvida, então, de que o Cristianismo está exposto a grandes e sérios perigos. Dois sistemas de vida estão em combate mortal. O Modernismo está comprometido em construir um mundo próprio a partir de elementos do homem natural, e a construir o próprio homem a partir de elementos da natureza; enquanto que, por outro lado, todos aqueles que reverentemente humilham-se diante de Cristo e o adoram como o Filho do Deus vivo, e o próprio Deus, estão resolvidos a salvar a “herança cristã”. Esta é a luta na Europa, esta é a luta na América, e esta também é a luta por princípios em que meu próprio país está engajado, e na qual eu mesmo tenho gasto todas as minhas energias por quase quarenta anos.

Nesta luta apologética não temos avançado um único passo. Os apologistas invariavelmente começam abandonando a defesa assaltada, a fim de entrincheirarem-se covardemente em um revelim atrás deles.

Desde o início, portanto, tenho sempre dito a mim mesmo, - “Se o combate deve ser travado com honra e com esperança de vitória, então, princípio deve ser ordenado contra princípio; a seguir, deve ser sentido que no Modernismo, a imensa energia de um sistema de vida todo abrangente nos ataca; depois também, deve ser entendido que temos de assumir nossa posição em um sistema de vida de poder, igualmente compreensivo e extenso. E este poderoso sistema de vida não deve ser inventado nem formulado por nós mesmos, mas deve ser tomado e aplicado como se apresenta na História.

Quando assim fiz, encontrei e confessei, e ainda sustento que esta manifestação do princípio cristão nos é dado no Calvinismo. No Calvinismo meu coração tem encontrado descanso. Do Calvinismo, tenho tirado firme e resolutamente a inspiração para assumir minha posição no auge deste grande conflito de princípios. E, portanto, quando fui convidado, muito honradamente por sua Faculdade, para dar as Palestras Stone, aqui este ano, não poderia hesitar um momento quanto a minha escolha do assunto. O Calvinismo como a única, decisiva, lícita e consistente defesa das nações protestantes contra o usurpador e esmagador Modernismo.

Fonte: http://www.ocalvinista.com/2009/12/calvinismo-versus-modernismo-kuyper.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+OCalvinista+%28O+CALVINISTA%29&utm_content=FeedBurner

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

OS PIONEIROS PRESBITERIANOS DO MACKENZIE

Prof. Dr. Alderi Souza de Matos

A Escola Americana e o Mackenzie College resultaram da iniciativa e esforços de um grande número de homens e mulheres, norte-americanos, brasileiros e portugueses. Quase todos tinham em comum o fato de serem filiados à Igreja Presbiteriana. Gostaríamos de destacar os nomes mais importantes dentre os muitos que constituem essa história.

1. Os precursores

A obra presbiteriana foi iniciada em São Paulo na década de 1860. O primeiro missionário a fixar residência na capital paulista foi o Rev. Alexander Latimer Blackford (1829-1890), que, após passar três anos no Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo em outubro de 1863. Estava acompanhado de sua esposa, Elizabeth, irmã do Rev. Ashbel G. Simonton, o introdutor do presbiterianismo no Brasil. Em 5 de março de 1865, num sobrado próximo ao Largo de São Bento, Blackford fundou a Igreja Presbiteriana de São Paulo, recebendo solenemente os primeiros membros. No final de 1867, com a morte de Simonton, o pastor da Igreja do Rio de Janeiro, Blackford teve de retornar à capital do império, a fim de dar assistência àquela igreja pioneira.

Dois pastores foram escolhidos para substituir Blackford em São Paulo, sendo um deles George W. Chamberlain, que se achava nos Estados Unidos estudando teologia. O outro era Emanuel Nunes Pires (1838-1896), um português da Ilha da Madeira que havia sido ordenado nos Estados Unidos. Desde setembro de 1866 ele vinha auxiliando Blackford em São Paulo. Em janeiro de 1868, pouco depois da saída de Blackford, chegou um novo missionário para trabalhar ao lado de Nunes, o Rev. Hugh Ware MacKee (1840-1877). Nunes e MacKee ficaram pouco tempo em São Paulo, o primeiro ausentando-se em setembro de 1869 e o segundo em julho de 1870.

2. Os fundadores

Em outubro de 1869, finalmente fixou residência em São Paulo o Rev. George Whitehill Chamberlain (1839-1902), dando início a um longo e profícuo pastorado de quase vinte anos. Um hábil pastor e evangelista, Chamberlain consolidou a pequena Igreja Presbiteriana de São Paulo e em 1870, ao lado de sua esposa Mary Ann Annesley, lançou as bases da Escola Americana, iniciada na sala de jantar do casal de missionários. No ano seguinte, a escolinha passou a funcionar nas instalações da igreja, junto ao Largo de São Bento, e em 1876 veio a ter a sua sede própria na esquina das ruas de São João e do Ipiranga.

Os primeiros professores da Escola Americana, além do casal Chamberlain, foram o futuro escritor Júlio César Ribeiro e as jovens Palmira Rodrigues e Adelaide Molina, bem como as educadoras Mary Parker Dascomb e Harriet Greenman. Mais tarde, ainda na década de 1870, ali também lecionaram os futuros pastores Antonio Pedro de Cerqueira Leite, Antonio Bandeira Trajano, Eduardo Carlos Pereira, Zacarias de Miranda e João Ribeiro de Carvalho Braga, bem como as professoras Alexandrina Teixeira da Silva Braga, Elmira Kuhl, Phoebe R. Thomas e Mary Lenington, todos ligados à Igreja Presbiteriana. Vários desses mestres escreveram importantes obras didáticas, como a Gramática da Língua Portuguesa de Júlio Ribeiro, a Aritmética de Antonio Trajano e a Gramática Expositiva de Eduardo C. Pereira. Merece destaque especial a pessoa do Rev. John Beatty Howell (1847-1924), que esteve em São Paulo de 1874 a 1884, auxiliando o Rev. Chamberlain na igreja e na Escola Americana, da qual foi diretor.

3. Os consolidadores

Com o crescimento da Escola Americana e a perspectiva da criação de cursos superiores, Chamberlain buscou alguém que pudesse assumir a direção da escola em tempo integral. A escolha recaiu sobre a figura do médico e educador Horace Manley Lane (1837-1912), que passou a dirigir a entidade no segundo semestre de 1885, ao mesmo tempo em que se filiou à Igreja Presbiteriana de São Paulo. A partir de 1891, Lane tornou-se o presidente do complexo Escola Americana/Colégio Protestante, cargo que exerceu com grande competência por mais de vinte anos, até a sua morte em 1912.

Um importante colaborador de Horace Lane foi o Rev. Modesto P. de Barros Carvalhosa (1846-1917), que por muitos anos foi um dos dirigentes e professores da Escola Americana e do Mackenzie, para o qual escreveu a obra didática Compêndio de Escrituração Mercantil. Outros personagens destacados dos primeiros tempos do Mackenzie foram o latinista Francisco Rodrigues dos Santos Saraiva, a educadora Marcia P. Brown, o professor Remígio de Cerqueira Leite, o Rev. Robert Lenington, o Rev. Donald Campbell MacLaren, o segundo presidente do Colégio Protestante, e especialmente o Rev. William Alfred Waddell (1862-1939), o talentoso pastor e engenheiro que, tendo chegado ao Brasil em 1890, supervisionou a construção do primeiro edifício do Mackenzie e presidiu por duas vezes a instituição (1914-1927, 1933).

Estes foram os grandes pioneiros do Mackenzie em seus primeiros trinta anos de existência (1870-1900). Sua visão, entusiasmo e convicções evangélicas somaram-se para plasmar uma instituição que muito tem feito pela educação integral em nosso país.

Fonte: UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DICAS DE VÍDEOS REFORMADOS E CALVINISTAS

Cristo, o Único Caminho
Uma breve, porém excelente apresentação de Cristo como o único caminho providenciado por Deus.
Autor(a): R. C. Sproul 16/05/2008


É Proibido Pensar! (muito bom!)
Nesta música/vídeo, João Alexandre denuncia alguns dos muitos desvios do neo-pentecostalismo atual brasileiro.
Autor(a): João Alexandre 09/02/2008


O Mundo Vai Acabar?
O mundo será restaurado, e um novo mundo já foi concebido na Cruz, e em breve, se revelará plenamente, quando Cristo vier em glória.
Autor(a): Herms C. Fernandes 27/01/2008


O que Significa Receber a Cristo?
O motivo de existir tanto nominalismo na Igreja é que não temos entendido o que significa receber a Cristo.
Autor(a): John Piper 22/09/2007


Teologia da Prosperidade
John Piper fala sobre teologia da prosperidade.
Autor(a): John Piper 21/09/2007


O Evangelho em 6 Minutos (muito bom!)
O que é o Evangelho? John Piper responde em 6 minutos!
Autor(a): John Piper 19/09/2007


Exposição de Judas (2)
Exposição da carta universal de Judas - parte 2.
Autor(a): Solano Portela 03/09/2007


Exposição de Judas (1) (muito bom!)
Exposição da carta universal de Judas - parte 1.
Autor(a): Solano Portela 03/09/2007


Lidando com Profetas Itinerantes Falsos e Verdadeiros (4)
Uma exposição de 1 João (série de 4 palestras).
Autor(a): Augustus Nicodemus Lopes 02/09/2007


Lidando com Profetas Itinerantes Falsos e Verdadeiros (3)
Uma exposição de Judas (série de 4 palestras).
Autor(a): Augustus Nicodemus Lopes 02/09/2007


Lidando com Profetas Itinerantes Falsos e Verdadeiros (2)
Uma exposição de 3 João (série de 4 palestras).
Autor(a): Augustus Nicodemus Lopes 02/09/2007


Lidando com Profetas Itinerantes Falsos e Verdadeiros (1)
Uma exposição de 2 João (série de 4 palestras).
Autor(a): Augustus Nicodemus Lopes 02/09/2007


Liderança Masculina
Sermão sobre a liderança masculina na igreja e no lar.
Autor(a): Augustus Nicodemus Lopes 01/09/2007


O Papel do Marido
Sermão sobre o papel do marido, com base em Efésios 5:25-33.
Autor(a): Augustus Nicodemus Lopes 22/08/2007


Pornografia
Sermão sobre pornografia, que é um mal que deve ser enfrentado e combatido.
Autor(a): Augustus Nicodemus Lopes 19/08/2007


Vida Familiar e Plenitude do Espírito (1° vídeo do Monergismo!)
Sermão sobre a vida familiar e a sua conexão com a plenitude do Espírito Santo.
Autor(a): Augustus Nicodemus Lopes 18/08/2007

EU AINDA ANSEIO VER

Eu ainda anseio ver uma igreja ortodoxa e piedosa. Uma igreja que tenha palavra e poder, uma igreja que tenha doutrina e vida. Eu ainda anseio ver aqueles que conhecem a verdade sendo transformados por ela a ponto de se tornarem pessoas humildes e não arrogantes.

Eu ainda anseio ver uma igreja cujas obras provem a sua fé e cuja fé honre ao seu Senhor.

Eu ainda anseio ver uma igreja que pregue com fidelidade, ensine com autoridade e cante louvores a Deus com fervor.
Eu anseio ver uma igreja onde Jesus tenha supremacia e as pessoas sejam verdadeiramente amadas.

Eu creio que meus olhos verão ainda essa realidade.
A fé vê o invisível. Ela caminha no meio da escuridão das circunstâncias, guiada pela luz da verdade. Os olhos da fé não estão postos na improbabilidade da situação circundante, mas nas promessas fiéis daquele que não pode falhar. Mesmo que os horizontes sejam pardacentos, mesmo que as circunstâncias sejam desfavoráveis, mesmo que a oposição seja sem trégua, eu ainda anseio ver uma igreja onde a doutrina dará as mãos ao fervor, onde a ortodoxia se vestirá com a túnica da santidade, onde a reforma desembocará no reavivamento.

Estou cansado de ver o povo de Deus bandeando ora para um extremo ora para outro.
Aqueles que são mais zelosos da doutrina, não raro são os mais apáticos no fervor. Aqueles que mais conhecem menos fazem. Aqueles que têm mais luz muitas vezes são os que têm menos calor. Aqueles que estadeiam sua cultura são os que menos refletem a doçura do Salvador. Ah! Eu ainda anseio ver uma igreja firmada na doutrina dos apóstolos, que ora e cante com entusiasmo. Uma igreja que tenha temor de Deus e alegria do Espírito. Uma igreja que tenha profunda comunhão interna e grande simpatia dos de fora.

Vejo com tristeza aqueles que tolamente abandonam a doutrina para buscar experiências arrebatadoras.
Onde falta a semente da Palavra, não se vê o fruto da verdadeira piedade. Não é a experiência que conduz à verdade, mas esta deságua naquela. A vida decorre da doutrina e não esta daquela. Precisamos de uma igreja que seja ortodoxa sem deixar de ser ortoprática. Os que se desviaram da Palavra em busca de experiências, precisam de uma nova reforma e os que se desviaram da piedade e ainda conservam sua ortodoxia precisam de reavivamento.

Eu ainda anseio ver uma igreja doutrinariamente fiel, mas que seja ao mesmo tempo amável e acolhedora aos que se aproximam. Uma igreja que ensine doutrina com zelo, mas que adore a Deus com fervor. Uma igreja que prega a verdade, mas vive em amor. Uma igreja onde a proclamação não está na contramão da comunhão.

Eu ainda anseio ver uma igreja que seja fonte para os sedentos, oásis para os cansados, refúgio para os aflitos, lugar de vida para os que cambaleiam na região da sombra da morte. Eu anseio ver uma igreja que viva para a glória de Deus, que honre o seu Salvador, que seja cheia do Espírito Santo, que adore a Deus com entusiasmo, que pregue sua Palavra com fidelidade e acolha as pessoas com efusiva alegria e redobrado amor. Que o meu e o seu anseio se tornem motivo das nossas orações até que vejamos cair sobre nós essa bendita chuva da restauração espiritual.


Rev. Hernandes Dias Lopes

TUDO DE ACORDO COM DEUS

Deus não quer ESTAR em nossa vida; Ele quer SER a nossa vida. A Palavra de Deus tem de estruturar nosso pensamento sobre todas TODAS as coisas e não apenas sobre temas "religiosos", caso contrário, nossa fé ficará comprometida. Pôr o cristianismo dentro de uma cosmovisão não cristã é IDOLATRIA.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

CALVINISMO, CONFORME A REVISTA TIME, É A IDEIA QUE ESTÁ MUDANDO O MUNDO


A revista Time apontou o novo Calvinismo em terceiro lugar, na sua matéria de capa sobre as 10 Idéias transformando o mundo na atualidade(...).

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

UMA DEFESA DO CALVINISMO - Charles Haddon Spurgeon


É uma ótima coisa começarmos nossa vida cristã crendo em boa e sólida doutrina. Algumas pessoas recebem tantos ‘’evangelhos’’ diferentes ao longo de suas vidas que é difícil prever quantos mais receberão até o fim de suas jornadas.

Eu dou graças a Deus por Ele ter me ensinado o Evangelho de uma só vez, e eu tenho estado tão satisfeito com ele que não quero conhecer nenhum ‘’outro.’’

Uma Troca Constante de Credo é um Prejuízo Seguro

Quando mudamos constantemente nossos princípios doutrinais, tornamo-nos inaptos a trazer muitos frutos para glória de Deus. É bom que os novos crentes comecem agarrando-se firmemente àquelas grandes doutrinas fundamentais que o Senhor nos tem ensinado em sua Palavra. Se eu cresse no que alguns pregam sobre uma salvação temporal e de pouco valor, que somente permanece por um tempo, dificilmente eu seria totalmente agradecido a Ele; mas, ao saber que aqueles que Ele salvou, ele os salvou com uma salvação eterna, ao saber que ele os deu uma justiça eterna, ao saber que Ele os assentou em um fundamento eterno de amor infindo, e que Ele nos levará a Seu Reino eterno. Oh! Logo me maravilho e me assombro de que tal benção tenha sido dada a mim!

Suponho que haja algumas pessoas cujos pensamentos se inclinam naturalmente à doutrina do livre-arbítrio. Eu somente posso dizer que os meus se inclinam mui naturalmente às doutrinas da graça soberana.

Às vezes vejo os piores tipos na rua, e sinto como se o meu coração fosse transbordar de lágrimas de gratidão por Deus nunca ter me deixado agir como eles têm agido! Tenho pensado, se Deus me tivesse deixado só, e não houvesse me tocado com sua graça, que grande pecador eu teria sido! Eu sinto que eu teria sido o rei dos pecadores, se Deus tivesse me deixado só. Eu não posso compreender porque eu sou salvo a não ser pelo fundamento de que Deus assim o quis. Eu não posso, por mais seriamente que busque, descobrir qualquer razão em mim mesmo para ser um participante da graça de Deus. Se neste momento eu não estou sem Cristo, é tão somente porque Cristo me quer com Ele, e Sua vontade é que eu esteja com Ele onde quer que ele esteja e que eu participe de sua glória.

Eu não comecei minha vida espiritual – não! Antes dava patadas, e lutava contra as coisas do Espírito(… ) havia um ódio natural em minha alma contra tudo o que é bom e santo. As advertências eram jogadas ao vento, quanto ao sussurro do Seu amor, eram rejeitados como sendo menos que nada e vaidade. Mas, agora estou seguro e posso dizer: ‘’Somente Ele é a minha salvação.’’ Foi ele quem transformou o meu coração e dobrou os meus joelhos diante d ‘Ele.

Uma noite por semana, sentado na casa de Deus, não estava prestando muita atenção à pregação porque eu não cria. Um pensamento entretanto me impressionou: Como eu vim a ser um cristão? Eu busquei ao Senhor. Mas – Como eu vim buscar ao Senhor? A verdade relampejou através de minha mente em um momento. Eu não o teria buscado sem que uma influência prévia em meu pensamento não tivesse me levado a isso. Eu orei – pensei – mas logo me perguntei – como vim a orar? Fui induzido a orar pelas Escrituras, mas como eu vim a ler as Escrituras? Sim, eu as li, mas o que me levou a fazê-lo? Logo vi que Deus estava por trás disso e que Ele era o autor da minha fé! (…) Hoje desejo fazer minha imutável confissão – ‘’Eu atribuo minha transformação inteiramente à Deus’!’’

Uma vez assisti a um pregador arminiano e Ele dizia: ‘’(…) não necessitamos que alguma inteligência superior, ou que um ser poderoso escolha por nós entre o céu e o inferno, nos tem sido dado meios e sabedoria suficiente para que julguemos por nós mesmos.’’ – e portanto como ele logicamente infere, não há nenhuma necessidade que Jesus ou qualquer outro faça uma escolha por nós. Isso é deixado ao nosso livre-arbítrio, podemos escolher a nossa herança sem nenhuma assistência. Ah!, pensava eu, ‘’mas, meu bom irmão, poderá ser muito certo que possamos, mas penso que precisamos de algo mais além do sentido comum antes possamos escolher acertadamente’’.

Primeiramente deixe-me perguntar – não temos todos nós que admitir uma providência soberana e a mão de Deus, quanto aos meios pelos quais entramos neste mundo? Àqueles que pensam que depois somos deixados a nosso próprio livre-arbítrio para escolher isto ou aquilo ao dirigirmos nossos passos, têm que admitir que a nossa entrada neste mundo não era de nossa própria vontade, mas sim que Deus teve que escolher por nós. Tínhamos qualquer coisa a ver com isso? (…) Não foi Deus mesmo quem determinou quem seriam nossos pais e onde nasceríamos? (…) Não poderia Ele ter me feito nascer num lar pagão onde teriam me ensinado a prostrar-me diante de falsos deuses, tão facilmente quanto como dar-me uma mãe piedosa, que cada manhã e noite dobrasse os seus joelhos e orasse em meu favor, ou não poderia Ele, se assim o quisesse ter me dado um pai libertino, de cujos lábios desde cedo eu tivesse ouvido palavras obscenas, sujas e terríveis (…) Não foi graças a providência de Deus que tenho uma sorte tão feliz, que meus pais eram Seus filhos, e trataram de criar-me no temor do Senhor?

(…) Muito antes de a luz relampejar pelo céu, Deus amou suas criaturas escolhidas. Antes que houvesse um só ser criado. (…) quando nem mesmo o espaço existia, quando não havia nada senão somente Deus – ainda então – nesta solidão divina, em meio ao silêncio profundo, Suas entranhas se moviam com amor para Seus eleitos. Seus nomes eram escritos em Seu coração(…) Jesus amava o Seu povo desde antes da fundação do mundo – ainda desde a eternidade! E, quando Ele me chamou pela Sua graça, Ele me disse – ‘’Com amor eterno te tenho amado; portanto te suportei com misericórdia.’’

Desde a plenitude dos tempos, ele me comprou com o Seu sangue; Ele deixou Seu coração escorrer em uma ferida aberta e profunda por mim muito antes que eu O amasse. Quando Ele tocou na porta e pediu entrada, não O deixei do lado de fora e fiz pouco com a Sua graça? Eu freqüentemente agi assim até que por fim, pelo poder de Sua graça eficaz, Ele disse: ‘’Eu devo! Eu entrarei! ‘’ e então Ele tomou o meu coração e fez com que eu O amasse. Mas ainda assim eu teria resistido se não fosse o poder de Sua graça eficaz. Bem, já que Ele me comprou quando eu estava morto em delitos e pecados não é lógico o fato de que Ele me havia amado primeiro? Morreu meu Salvador porque eu cria n‘Ele? Não, porque até então eu não existia(…) . Portanto – podia o Salvador ter morrido por quem tinha fé mesmo antes de haver nascido? Poderia isso ser possível? Poderia ter sido essa a origem do amor de Deus por mim? Ah! não! meu Salvador morreu por mim muito antes que eu cresse. Mas – diria alguém – Ele previu que tu terias fé; e portanto te amou. Que foi que ele previu da minha fé? Previu que eu haveria de ter fé de mim mesmo? Não, Cristo não poderia ter previsto isso, porque nenhum cristão, em tempo algum ousaria dizer que a sua fé vem de si mesmo sem o dom e a obra do Espírito Santo. Ninguém pode dizer: ‘’Eu vim à Deus sem a ajuda do Espírito Santo’’

(…) Quando Deus entra em um pacto com um homem pecador, ele (i.e. o homem) é uma criatura tão ofensiva, que isso tem de ser feito através de um ato de pura graça soberana, rica e livre. Quando o Senhor entrou em um pacto comigo, eu tenho certeza que foi totalmente pela graça, nada além da Sua graça. Quando lembro como e quem eu era, quão obstinado e irregenerado era o meu caráter quão rebelde era contra a soberania de Deus, sempre me sento no lugar mais humilde na casa de meu Pai, e, quando entrar no Céu, serei o menor dos santos, e entrarei como o primeiro dos pecadores.

(…) ‘’Somente Ele é a rocha da minha salvação’’ – Diga-me qualquer coisa contrária à esta verdade, e será uma heresia. (…) Qual é a heresia de Roma (Igreja Católica Romana) senão a adição de algo mais aos méritos perfeitos de Cristo, trazendo as obras da carne para auxiliar em nossa justificação? E qual é a heresia do Arminianismo, senão a adição de algo mais à obra do Redentor? (…) Eu tenho minha própria opinião de que não há como pregarmos à Cristo e este crucificado se não pregarmos o que hoje chamamos de Calvinismo. (…) O Calvinismo é o Evangelho e nada mais. Eu não creio que podemos pregar o Evangelho, se não pregarmos a justificação pela fé, sem obras, nem tampouco se não exaltarmos o amor triunfante, eterno e imutável de Deus; muito menos se não o basearmos na redenção particular e especial de seu povo eleito que Cristo salvou sobre a cruz; nem posso compreender um Evangelho que permite aos santos perderem-se depois de haverem sido chamados, e que permite aos filhos de Deus serem consumidos no fogo do inferno depois de haverem crido em Cristo. Tal ‘’evangelho’’ eu abomino.

(…) Se um só dentre os santos de Deus houvesse se perdido, então todos poderiam perder-se também, e então não há nenhuma promessa verdadeira no Evangelho e a Bíblia é uma mentira e não há nada digno de confiança nela. Se Deus uma vez me amou, então Ele me amará para sempre! (…) Isso será feito – Ele diz – Este é o meu propósito (…) e está firme, nem a terra, nem o inferno podem alterar. ‘’Este é o meu decreto. Nada pode alterá-lo nem anjos, nem demônios, haja o que houver” – o Seu decreto permanecerá para sempre! Ele é Todo-Poderoso e, portanto pode cumprir toda a Sua vontade.

Nós, meros homens, insetos rastejantes, poderíamos mudar nossos planos, mas Ele nunca! Nunca mudará os Seus. Se Ele me tem dito que o Seu plano é salvar-me então eu sou salvo para sempre! Eu não sei como algumas pessoas que crêem que um cristão pode cair da graça, pretendem ser felizes. Deve haver algo muito recomendável neles para que passem um só dia sem desesperar-se. Se eu não cresse na doutrina da perseverança dos santos, eu seria o mais miserável dos homens, porque sentiria a falta de um fundamento de conforto. (…) Eu creio que o mais feliz e verdadeiro dos cristãos é aquele que nunca se atreve de duvidar de Deus, que toma a sua Palavra simplesmente como está e crê, e não faz questionamento algum, estando certo de que se Deus prometeu assim Ele fará.

(…) Todos os propósitos dos homens têm sido derrotados, mas não os propósitos de Deus. As promessas dos homens podem ser quebradas, mas não as promessas de Deus. Ele é um fazedor de promessas, mas nunca foi um quebrador de promessas; Ele é um Deus fiel às Suas promessas e cada um do Seu povo provará que é assim. (…) Perdido, indigno e arruinado que sou, contudo Ele me salvará!

Eu sei que há alguns que pensam que é necessário aos seus sistemas teológicos pôr algum limite aos méritos do sangue de Jesus. No entanto, se o meu sistema teológico necessita de tais limites então eu devo jogar ele ao vento. Não posso e não me atrevo a permitir que um pensamento assim ache pousada em minha mente(…) Na obra cumprida de Cristo vejo um oceano de mérito; minha mão não alcança nenhum fundo, meus olhos não vêem nenhuma margem.(…) Tendo uma Pessoa Divina como oferta não é consistente conceber um valor limitado, limites e medidas são termos inaplicáveis ao sacrifício divino.

(…) Eu creio que haverá mais pessoas no Céu do que no inferno. Se alguém me perguntar por que penso assim, responderei: porque Cristo em tudo há de ter o primado, e eu não posso conceber como Ele pode ter o primado se houver mais pessoas nos domínios de Satanás do que no Paraíso. Além do mais, eu nunca li que há de haver uma grande multidão, que ninguém pode contar, no inferno. Regozijo-me em saber que as almas das criancinhas logo após morrer, se apressam em seu caminho ao Céu! Imagine a multidão deles!! Logo, já há no Céu milhares sem número dos espíritos de homens justos aperfeiçoados – redimidos de todas as nações, linhagens, povos e línguas até esta hora; e há de vir melhores tempos, quando a religião de Cristo for universal; quando Ele reinar de polo a polo com império ilimitado.

Algumas pessoas amam a doutrina da expiação universal porque eles dizem: é tão bela, tão formosa, é tão bom saber que Cristo morreu por todos os homens.’’ Admito que há algo de belo nesta doutrina, mas a beleza muitas vezes pode ser associada com a falsidade. Vou ensinar o que essa suposição envolve: Se Cristo na cruz teve a intenção de salvar a cada pessoa, sem exceção – então Ele intentou salvar aqueles que já haviam se perdido antes que Ele morresse. Se esta doutrina é verdadeira – que Ele morreu por todos os homens, então Ele morreu por alguns que estavam no inferno antes que Ele viesse ao mundo. Porque sem dúvida havia milhares que haviam sido reprovados por causa de seus pecados. Se foi mesmo a intenção de Cristo salvar todos os homens, como Ele foi deploravelmente frustrado, porque temos Seu próprio testemunho acerca do lago de fogo e neste lago tem sido lançados – segundo a teoria da redenção ilimitada (ou universal) pessoas que foram compradas pelo seu sangue. Essa é uma concepção mil vezes mais odiosa e repulsiva do que qualquer conseqüência que associam à doutrina cristã e calvinista da expiação limitada ou particular.

Que Cristo ofereceu uma expiação e satisfação pelos pecados de todos os homens, e que depois alguns desses mesmos homens hão de ser castigados pelos pecados que Cristo já havia expiado, parece ser a mais monstruosa de todas as iniqüidades que poderia ser imputada às deidades mais pagãs e diabólicas. Deus não nos permita de pensarmos assim d’Ele.

Não há entre todas as pessoas vivas neste mundo alguém que se detém mais às doutrinas da graça do que eu, confesso também que desejo ser chamado apenas cristão e que quanto ao fato de ser chamado calvinista, declaro que sustento todas as principais doutrinas defendidas por João Calvino e me regozijo de confessá-las. Entretanto longe de mim imaginar que Sião não tem mais do que cristãos calvinistas dentro de suas paredes, e que não há ninguém salvo que não exponha ou sustente nossos pontos de vista. Eu creio que muitos homens que não podem ver estar verdades ou pelo menos não as podem ver da maneira que nós as apresentamos, mas que tem recebido a Cristo como seu Salvador, são tão amados de Deus quanto qualquer calvinista dentro ou fora do céu. Por exemplo, temos Jonh Wesley o ‘’Príncipe dos arminianos, Ele viveu muito acima do nível ordinário dos ‘’cristãos comuns’’ , e era um ‘’dos quais o mundo não era digno’’.

Que o Senhor predestina e todavia o homem é responsável são dois fatos que poucos podem ver claramente. São tidos por inconsistentes e contraditórios; no entanto, essas são duas verdades que se convergem e se encontrarão em alguma parte na eternidade, junto ao trono de Deus de onde procede toda a verdade.

Freqüentemente é dito que as doutrinas que cremos têm uma tendência a levar-nos ao pecado. Não sei quem tem a audácia e o atrevimento de fazer tal afirmação tendo em vista o fato de que os mais santos homens que já existiram criam nelas. Quem se atreve a dizer que o Calvinismo é uma religião licenciosa o que ele pensa do caráter de Agostinho, Whitefield, Calvino os quais foram os grandes expositores destas verdades; o que dirá dos puritanos? Se um homem houvesse sido um arminiano nesta época Ele teria sido reputado como o pior dos hereges, mas agora nós somos vistos como hereges e eles como ortodoxos. Nós temos regressado à antiga escola, podemos trazer nossa descendência até os apóstolos (…) podemos correr uma linha de ouro até Jesus Cristo passando por uma lista de poderosos pais, os quais todos sustentavam estas gloriosas verdades. Pergunto: ‘’Onde acharemos homens melhores e mais santos?’’ (…) Nada faz um homem mais virtuoso do que uma fé na verdade. Uma doutrina mentirosa levará a uma prática mentirosa. Ninguém pode ter uma fé errônea sem daqui a pouco ter uma vida errônea também; eu creio que uma coisa naturalmente leva à outra. De todos os homens, aqueles que têm uma piedade desinteressada, uma reverência mais sublime, uma devoção mui ardente, são os que crêem que são salvos pela graça, sem as obras, mediante a fé, e que isso não vem deles mesmos, mas é dom de Deus.

Texto traduzido, adaptado e resumido por Marcos Siqueira

Fonte: extraído do portal Textos da Reforma.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

CARTAS A BONFIM: DEUS E AS TRAGÉDIAS

Augustus Nicodemus Lopes

Meu caro Bonfim,(*)

Foi realmente uma surpresa agradável encontrá-lo este fim de semana em Campos do Jordão, durante o feriado. Embora nossa conversa tenha sido breve, foi suficiente para relembrarmos os bons tempos que passamos quando éramos jovens na Igreja do Recife. Foi uma pena que não deu para aprofundarmos nossa discussão sobre Deus e as tragédias que ocorrem no mundo. Mas, como prometi, estou enviando este email para dar seqüência ao que pude apenas começar a dizer.

Fiquei preocupado com o jeito que você está querendo entender a tragédia que foi a queda do vôo 447 da Air France na semana passada. Você me deu a entender que está revoltado com o fato de que centenas de pessoas boas, desprevenidas, cidadãos de bem, foram apanhados numa tragédia e morreram de forma terrível, deixando para trás famílias, filhos, entes queridos. Você perguntou aflito, “Onde estava Deus quando tudo isto aconteceu?”

Eu entendo a sua preocupação com o dilema moral que tragédias representam quando vistas a partir do conceito cristão histórico e tradicional de Deus. Se Deus é pessoal, soberano, todo-poderoso, onisciente, amoroso e bom, como então podemos explicar a ocorrência das tragédias, calamidades, doenças, sofrimentos, que atingem bons e maus ao mesmo tempo?

Creio que qualquer tentativa que um cristão que crê que a Bíblia é a Palavra de Deus faça para entender as tragédias, desastres, catástrofes e outros males que sobrevêm à humanidade, não pode deixar de levar em consideração dois componentes da revelação bíblica, que são a realidade da queda moral e espiritual do homem e o caráter santo e justo de Deus.

Lemos em Gênesis 1—3 que Deus criou o homem, macho e fêmea, à sua imagem e semelhança, e que os colocou no jardim do Éden, com o mandamento para que não comessem do fruto proibido. O texto relata como eles desobedeceram a Deus, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, e decaíram assim do estado de inocência, retidão e pureza em que haviam sido criados. As conseqüências, além da queda daquela retidão com que haviam sido criados, foram a separação de Deus, a perda da comunhão com ele, e a corrupção por inteiro de suas faculdades, como vontade, entendimento, emoções, consciência, arbítrio. Pior de tudo, ficaram sujeitos à morte, tanto espiritual, que consiste na separação de Deus, como a física e a eterna, esta última sendo a separação de Deus por toda a eternidade.

Este fato, que chamamos de “queda,” afetou não somente a Adão e Eva, mas trouxe estas conseqüências terríveis a toda a sua descendência, isto é, à humanidade que deles procede, pois eles eram o tronco e a cabeça da raça humana. Em outras palavras, a culpa deles foi imputada por Deus aos seus filhos, e a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes. Desde cedo na história da Igreja cristã esta doutrina, que tem sido chamada de “pecado original”, foi questionada por gente como Pelágio, que afirmava que o pecado de Adão e Eva afetou somente a eles mesmos, e que seus filhos nasciam isentos, neutros, sem pecado, e sem culpa e sem corrupção inata. Tal idéia foi habilmente rechaçada por homens como Agostinho, Lutero, Calvino e muitos outros, que demonstraram claramente que o ensino bíblico é o que chamamos de depravação total e transmitida, culpa imputada e corrupção herdada. As conseqüências práticas para nós hoje são terríveis. Por causa desta corrupção inata, com a qual já nascemos, somos totalmente indispostos para com as coisas de Deus; somos, por natureza, inimigos de Deus e, portanto, filhos da ira. É desta natureza corrompida que procedem os nossos pecados, as nossas transgressões, as desobediências, as revoltas contra Deus e sua Palavra.

Agora chegamos no ponto crucial e mais relevante para nosso assunto. Entendo que a Bíblia deixa claro que os nossos pecados, tanto o original quanto os pecados atuais que cometemos, por serem transgressões da lei de Deus, nos tornam culpados e portanto sujeitos à ira justa de Deus, à sua justiça retributiva, pela qual ele trata o pecador de acordo com o que ele merece. Ou seja, a humanidade inteira, sem exceção – visto que não há um único justo, um único que seja inocente e sem pecado – está sujeita ao justo castigo de Deus, o que inclui – atenção! – a morte, as misérias espirituais, temporais (onde se enquadram as tragédias, as calamidades, os desastres, as doenças, o sofrimento) e as misérias espirituais (que a Bíblia chama de morte eterna, inferno, lago de fogo, etc.).

A Bíblia revela com muita clareza, e sem a menor preocupação de deixar Deus sujeito à crítica de ser cruel, déspota e injusto, que ele mesmo é quem determinou tragédias e calamidades sobre a raça humana, como parte das misérias temporais causadas pelo pecado original e as transgressões atuais. Isto, é claro, se você acredita realmente que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não uma coleção de idéias, lendas, sagas, mitos e estórias politicamente motivadas e destinadas a justificar seus autores. De acordo com a Bíblia, foi Deus quem condenou a raça humana à morte no jardim (Gn 2.17; 3.19; Hb 9.27). Foi ele quem determinou a catástrofe do dilúvio, que aniquilou a raça humana com exceção da família de Noé (Gn 6.17; Mt 24.39; 2Pe 2.5). Foi ele quem destruiu Sodoma, Gomorra e mais várias cidades da região, com fogo caído do céu (Gn 19.24-25). Foi ele quem levantou e enviou os caldeus contra a nação de Israel e demais nações ao redor do Mediterrâneo, os quais mataram mulheres, velhos, crianças e fizeram prisioneiros de guerra (Dt 28.49-52; Hab 1.6-11). Foi ele quem levantou e enviou contra Israel povos vizinhos para saquear, matar e fazer prisioneiros (2Re 24.2; 2Cr 36.17; Jr 1.15-16). Foi ele quem ameaçou Israel com doenças, pestes, fomes, carestia, seca, pragas caso se desviassem dos seus caminhos (Dt 28). Foi ele quem enviou as dez pragas contra o Egito, ferindo, matando e trazendo sofrimento a milhares de egípcios, inclusive matando os seus primogênitos (Ex 9.13-14). Foi o próprio Jesus quem revelou a João o envio de catástrofes futuras sobre a raça humana, como castigos de Deus, próximo da vinda do Senhor, conforme o livro de Apocalipse, tais como guerras, fomes, pestes, pragas, doenças (Apocalipse 6—9), entre outros. Foi o próprio Jesus quem profetizou a chegada de guerras, fomes, terremotos, epidemias (Lc 21.9-11) e a destruição de Jerusalém, que ele chamou de “dias de vingança” de Deus contra o povo que matou o seu Filho, nos quais até mesmo as grávidas haveriam de sofrer (Lc 21.20-26). E por fim, Deus já decretou a catástrofe final, a destruição do mundo presente por meio do fogo, no dia do juízo final (2Pe 3.7; 10-12).

Isto não significa, na Bíblia, que o sofrimento das pessoas é sempre causado por uma culpa individual e específica. Há casos, sim, em que as pessoas foram castigadas com sofrimentos temporais em virtude de pecados específicos que cometeram, como por exemplo o rei Uzias que foi ferido de lepra por causa de seu pecado (2Cr 26.19; cf. também o caso de Miriã, Nm 12.10). O rei Davi perdeu um filho por causa de seu adultério (2Sm 12.14). Mas, em muitos outros casos, as tragédias, catástrofes, doenças e sofrimentos não se devem a um pecado específico, mas fazem parte das misérias temporais que sobrevêm à toda a raça humana por conta do estado de pecado e culpa em geral em que todos nós nos encontramos. Deus traz estas misérias e castigos para despertar a raça humana, para provocar o arrependimento, para refrear o pecado do homem, para incutir-lhe temor de Deus, para desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras. Veja, por exemplo, a reflexão atribuída a Moisés no Salmo 90, provavelmente escrito durante os 40 anos de peregrinação no deserto. Veja frases como estas:

Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens... Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca. Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados. Diante de ti puseste as nossas iniqüidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento...

Não devemos pensar que aquelas pessoas que ficam doentes, passam por tragédias, morrem em catástrofes – como os passageiros do AF 447 – eram mais pecadoras do que as demais ou que cometeram determinados pecados que lhes acarretou tal castigo. Foi o próprio Jesus quem ensinou isto quando lhe falaram do massacre dos galileus cometido por Pilatos e a tragédia da queda da torre de Siloé que matou dezoito (Lc 13.1-5). Ele ensinou a mesma coisa no caso do cego relatado em João 9.3-4. Os seus discípulos levantaram o problema do sofrimento do cego a partir de um conceito individualista de culpa, ponto que foi rejeitado por Jesus. A cegueira dele não se deveu a um pecado específico, quer dele, quer de seus pais. As pessoas nascem cegas, deformadas, morrem em tragédias e acidentes, perdem tudo que têm em catástrofes, não necessariamente porque são mais pecadoras do que as demais, mas porque somos todos pecadores, culpados, e sujeitos às misérias, castigos e males aqui neste mundo.

No caso do cego, Jesus disse que ele nascera assim “para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3). Sofrimento, calamidades, etc., não são somente um prelúdio do julgamento eterno de Deus; há também um tipo de sofrimento no qual Deus é glorificado por meio de Cristo em sua graça, e assim se torna, portanto, um exemplo e um prelúdio da salvação eterna. As tragédias servem para levar as pessoas a refletir sobre a temporalidade e fragilidade da vida, e para levá-las a refletir nas coisas espirituais e eternas. Muitos têm encontrado a Deus no caminho do sofrimento.

O que eu quero dizer, Bonfim, é que, diante de acidentes como a queda do AF 447, devemos nos lembrar que eles ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos. Poderia ser eu que estava naquele avião. Ou, alguém muito melhor e mais reto diante de Deus. Ainda assim, Deus não teria cometido qualquer injustiça, ainda que aquele avião estivesse cheio dos melhores homens e mulheres que já pisaram a face da terra. Pois mesmo estes são pecadores. Não existem inocentes diante de Deus, Bonfim. Pense nisto, antes de ficar indignado contra Deus diante do sofrimento humano.

Por último, preciso deixar claro duas coisas para você. Primeira, que nada do que eu disse acima me impede de chorar com os que choram, e sofrer com os que sofrem. Somos membros da mesma raça, e quando um sofre, sofremos com ele. Segunda, é preciso reconhecer que a revelação bíblica é suficiente, mas não exaustiva. Não temos todas as respostas para todas as perguntas que se levantam quando um acidente destes acontece. Não sabemos, por exemplo, porque foi o vôo AF 447 e não outro que caiu no oceano matando todos os seus ocupantes. Não conhecemos a vida de seus passageiros e nem os propósitos maiores e finais de Deus com aquela tragédia. Só a eternidade o revelará. Temos que conviver com a falta destas respostas neste lado da eternidade. Mas, é preferível isto a aceitar respostas que venham a negar o ensino claro da Bíblia sobre Deus, como por exemplo, especular que ele não é soberano e nem onisciente e onipotente. Posso não saber os motivos específicos, mas consola-me saber que Deus é justo, bom e verdadeiro, e que todas as suas obras são perfeitas e retas, e que nele não há engano.

No mais, termino com meu apelo para que você esteja sempre pronto a ser chamado à presença de Deus a qualquer instante. Somente em Cristo encontramos perdão para nossos pecados e reconciliação com Deus.

Um grande abraço,
Augustus

(*) Bonfim é um amigo fictício, embora os fatos não o sejam.
Fonte: http://www.tempora-mores.blogspot.com/

domingo, 21 de junho de 2009

A MARCHA DO MOVIMENTO REFORMADO

A marcha do movimento reformado: a maioria dos presbiterianos precisa conhecer como a fé reformada difundiu-se a partir de Genebra e outros centros para influenciar poderosamente a vida de nações inteiras como a Suíça, a Escócia, a Holanda e os Estados Unidos (além da França, Alemanha, Hungria, Boêmia e Polônia). Poucos conhecem a trajetória sacrificial e inspiradora dos reformados franceses, os huguenotes, que por vários séculos sofreram provações tremendas por causa da sua fé. A propósito, este ano está sendo comemorado o 4º centenário do Edito de Nantes, que concedeu aos huguenotes certa tolerância religiosa, e cuja revogação posterior produziu a famosa "igreja no deserto." Também merece destaque especial o papel da fé reformada na história da nação holandesa, em sua luta pela independência contra a tirania espanhola, em sua ênfase na liberdade religiosa, em sua atuação no Brasil colonial.

LEIA MAIS:
http://www.executivaipb.com.br/Conviccoes/aspectos_fe_reformada.pdf

Programa Conversando Abertamente - Rev. Augustus Nicodemus - CHANCELER DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE



Reverendo Juarez Marcondes, entrevista o Rev. Augustus Nicodemus, chanceler do Mackenzie, no programa Conversando Abertamente da Radio IPB.
Duracao, 15 minutos.

Fonte: http://www.ipb.org.br/audios/index.php?id=4

terça-feira, 21 de abril de 2009

BERLIM DEDICA EXPOSIÇÃO A REFORMADOR JOÃO CALVINO

BERLIM DEDICA EXPOSIÇÃO A REFORMADOR JOÃO CALVINO

Diz-se que as ideias de Calvino, reformador da igreja no século 16, inspiraram a democracia moderna e o capitalismo. Hoje, 500 anos após seu nascimento, o Museu
Histórico Alemão lhe dedica exposição em Berlim.

Com mais de 360 documentos históricos, obras de arte e objetos litúrgicos, a atual mostra de Berlim é a maior exposição na Europa durante o Ano Calvino, que marca os 500 anos do reformador nascido em 10 de julho de 1509, na cidade francesa de Noyon.

A exposição tem como foco a pessoa de Calvino e sua influência na Europa. A mostra também trata de temas como expulsão, migração e minorias — assuntos problemáticos para o continente durante diferentes épocas. O próprio Calvino foi forçado a fugir da França para a Suíça em 1535, quando a tensão religiosa levou a levantes violentos contra protestantes.

Isso aconteceu numa época em que a Europa estava dominada por monarcas e a Igreja Católica tinha grande influência tanto na política quanto na sociedade civil. E fazia apenas duas décadas que o alemão Martinho Lutero havia pregado suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, defendendo a salvação através da fé e acendendo, inadvertidamente, a centelha da Reforma Protestante.

Foi nesse contexto que Calvino desenvolveu e propagou o movimento protestante que se iniciava. Mais tarde, sua doutrina teológica ficou conhecida como calvinismo.
O nascimento do Estado sem corrupção

Em entrevista à Deutsche Welle, o teólogo católico e professor aposentado Arnold Angenendt declara que “o calvinismo influenciou decididamente a forma moderna de vida”. Segundo o teólogo, Calvino é interpretado como aquele que disse que qualquer erro é sinal de que se foi abandonado por Deus.

O calvinismo é conhecido por propagar o trabalho duro, a confiabilidade e o perfeccionismo. Angenendt explica que “a ética calvinista criou o funcionário público responsável e profissional”. Para o historiador, isso significou “o nascimento do Estado europeu”.

Um funcionário público que se comporta conforme a ética calvinista não está passível de envolvimento com a corrupção. Os países ocidentais mais influenciados por Calvino têm governos menos corruptos que seus vizinhos do Leste, afirma Angenendt.
Responsabilidades individuais

As igrejas calvinistas são caracterizadas não somente pela forte consciência ética, mas também pela organização não-hierárquica, diz em entrevista à Deutsche Welle Achim Detmers, da Igreja Luterana na Alemanha. Esta igualdade “democrática”, segundo ele, não traz somente liberdade, mas também responsabilidade.

O calvinismo não prescreve um credo universal para cada situação. Em vez disso, novas situações históricas — como o surgimento do nazismo na Alemanha dos anos de 1930 ou tempos de desigualdade econômica — requerem que fiéis leiam novamente a Bíblia e façam interpretações relevantes, diz Detmers.

A redução da influência política eclesiástica e a ênfase no papel do indivíduo são todos ensinamentos do calvinismo, que têm mais em comum com a moderna democracia europeia do que com as últimas monarquias medievais.

“Calvino defendia um democracia aristocrática. Ele defendia uma separação administrativa da Igreja e do Estado, embora quisesse assegurar que a sociedade estava embasada em princípios cristãos como Os Dez Mandamentos”, explica o teólogo alemão.

Detmers comenta que particularmente em comparação com outras doutrinas, que são organizadas mais hierarquicamente e dão menor valor à participação dos fiéis, o calvinismo oferece às sociedades “modernas” um grande potencial de inovação e reflexão.

Uma solução calvinista para a crise financeira?

O clérigo luterano adverte, no entanto, que não deve ser estabelecida uma ligação muito forte entre Calvino e o desenvolvimento da democracia moderna e do capitalismo, chamando a atenção para o papel exercido por uma série de outros fatores sociológicos e históricos neste contexto.

Se os ideais calvinistas — baseados mais no medo do que na misericórdia — tiveram uma maior influência na sociedade atual, já é uma outra questão.

Na abertura da exposição em Berlim nesta semana, o premiê holandês, Jan Peter Balkenende, salientou que a forte ética de trabalho, que é parte importante da teologia calvinista, “se transformou num sistema moral”.

À luz da atual crise econômica, seria “bom se os mercados financeiros fossem mais fortemente governados por estes princípios”, afirmou Balkenende.
Bastiões da teologia reformista

Mais de 25 milhões de pessoas fazem parte da Igreja Luterana na Alemanha, de acordo com informações da própria Igreja. Desses, dois milhões pertencem às igrejas protestantes reformadas. Outros bastiões da teologia reformista na Europa são a Suíça, a Holanda, a Hungria, a Escócia e a França.

Na Alemanha, os membros das igrejas reconhecidas pelo Estado pagam uma dízimo mensal às Igrejas Católica e Protestante. No país, a Igreja Católica conta oficialmente com 25 milhões de fiéis.

A exposição Calvinismo fica aberta até 19 de julho próximo no Museu Histórico Alemão, em Berlim.























Autora: Kate Bowen
Revisão: Soraia Vilela
Fonte: Deutsche Welle
Divulgação: www.juliosevero.com


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quarta-feira, 4 de março de 2009

AS MARCAS DA IGREJA VERDADEIRA

AS MARCAS DA IGREJA VERDADEIRA
Rev. Gildásio Reis - I.P.O.

O Conselho e a Junta Diaconal da nossa igreja, ainda neste mês de março, darão início a uma série de estudos sobre as “9 Marcas de Uma Igreja Saudável”, baseado na obra de Mark Dever. Mas muito antes do lançamento deste livro, este tema foi objeto de estudo no período da Reforma do século XVI. Embora com divergências quanto ao número de marcas, os reformadores viram a necessidade de apresentar marcas que identificassem uma verdadeira igreja cristã. Na pastoral de hoje estamos informando quais são estas três marcas:

1. A Pregação Verdadeira das Escrituras Sagradas: Esta é a marca mais importante da Igreja (Jo 8.3l,32,47; l4.23; I Jo 4.l-3; II Jo 9). Isto não quer dizer que a pregação deve ser perfeita e absolutamente pura para que ela seja reconhecida como a Igreja verdadeira. Tal idéia é inatingível na terra. Significa, contudo, que sua prédica deve ser fiel às verdades fundamentais da Escritura Sagrada.

2. A Correta Administração dos Sacramentos: Os sacramentos jamais poderão ser divorciados das Escrituras, uma vez que eles são de fato nada mais do que a própria prédica visível da Palavra, e devem ser administrados por legítimos ministros da Igreja, de acordo com as instituições divinas. Sua administração ressalta como uma marca da Igreja Primitiva (Mt 28.l9; At 2.42; I Co ll.23-30).

3. O Exercício Fiel da Disciplina: Uma igreja que prima pela santidade entende que quando seus membros estão vivendo em desobediência a Deus, precisam ser disciplinados. E o propósito é a restauração do pecador. O objetivo é que os cristãos sejam ornamentos da doutrina do Senhor ( Tt. 2:10 ) e devem portanto, fazer boas obras para que os homens vejam estas boas obras e glorifiquem a Deus ( Mt 5:16 ). O exercício fiel da disciplina é inteiramente essencial para a manter a pureza da doutrina (I Co 5.l-5; l3.l4,33,40; Ap. 2;l4,l5-20).

Rev. Gildásio Reis (adaptado)
Fonte: Pastorais do Boletim do dia 08.03.2009 (I.P.O.)

S.D.G. - SOLI DEO GLORIA

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

UM PEQUENO ESBOÇO DO CURSO: EVANGELIZAÇÃO REFORMADA – INÍCIO EM MARÇO – 2009 D.C.

MATRÍCULAS ABERTAS PARA O CURSO TEOLÓGICO DO IBER - INSITUTO BÍBLICO DE EDUCAÇÃO REFORMADA : EVANGELIZAÇÃO REFORMADA COM O PROF. LUIS CAVALCANTE NA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL EM OSASCO - http://iber-ipo.blogspot.com – durante o mês de março - terça-feira das 20h às 22h – Fone da Secretaria do IBER – (11) 3682-3075 das 13h às 17h ou durante os cursos de terça-feira ou quinta-feira das 18h às 22 com a Secretária do IBER – Sra. Graça na Rua Rev. Paulo Lício Rizzo, 207 – Centro – Osasco – ao lado da Câmara Municipal de Osasco – Igreja Presbiteriana do Brasil em Osasco.


EVANGELIZAÇÃO REFORMADA

“O evangelho deve ser pregado com temor, humildade e tremor. Ele não apela para a sabedoria do homem...ele não invoca sentimentos pessoais...ou uma adaptação enganosa para o gosto do dia...Mas sim, invoca fidelidade absoluta às Escrituras; ele invoca o poder do Espírito Santo e Sua manifestação, de forma que a fé possa ser fundada sobre o único poder verdadeiro- o poder de Deus” - Pierre Marcel

CAPÍTULO I

CONCEITUANDO A EVANGELIZAÇÃO

A. O QUE É EVANGELIZAÇÃO ?

DEFINIÇÃO DE EVANGELISMO:

De acordo com esta definição do Congresso de Berlim verificamos:

1) A essência da mensagem: Proclamar o Evangelho – a pessoa de Cristo ( I Co 2:1-2 )
2) O alicerce: As Escrituras ( At 8:31-35 )
3) O propósito: persuadir pessoas á confiar em Deus ( I Co 2:1-5; II Co 5:18-20 )
4) Integração na igreja: Discipulado para crescimento ( Mc 16:15,16 ). A evangelização não exige apenas compromisso com Deus, mas também com a igreja.
5) Consumação: Volta de Cristo ( Hc 2:14; At 1:11 ). Estabelecimento pleno do Reino de Deus.

O que envolve a evangelização ?

I - EVANGELIZAR SIGNIFICA APRESENTAR UMA MENSAGEM CLARA E ESPECÍFICA.

“Antes de podermos aceitar as Boas-Novas a respeito de Jesus, precisamos aceitar as Más-Novas sobre nós mesmos ... sermões que adulam os pecadores jamais os salvam” - W.W.Wiersbe

II - EVANGELIZAR É SER REPRESENTANTE COMISSIONADO DO SENHOR JESUS.

CAPÍTULO II

O CONTEÚDO DA MENSAGEM EVANGELÍSTICA

Capítulo III

Pressupostos da Evangelização Reformada

1) A Universalidade do Pecado ( DEPRAVAÇÃO TOTAL)

2) A Graça Soberana de Deus ( ELEIÇÃO INCONDICIONAL )

3) A Obra Eficaz e Suficiente de Jesus ( EXPIAÇÃO LIMITADA )

4) A Operação Irresistível do Espírito Santo . ( GRAÇA IRRESISTÍVEL )

5) O Propósito de Deus em Salvar o Seu Povo (PERSEVERANÇA DOS SANTOS)

6) A Inspiração e autoridade da Escritura.:

A Confissão de Fé de Westminster declara a autoridade da Escritura:

A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus. (Ref. II Tim. 3:16; I João 5:9, I Tess. 2:13.)

7) A Obediência ao Mandato de Jesus. "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc. 16.15)

III. OS MOTIVOS PARA MISSÕES

VI. OBSTÁCULOS PARA O CRESCIMENTO DE IGREJAS URBANAS

1. Diabo.
2. A Relativização de absolutos
3. Ausência de credibilidade da Igreja
4. A perda da linguagem comum
5. Reação de Condenação
6. Isolamento
7. Separação
8. Paganismo
9. A insegurança urbana
10.Ativismo
11. Medo de testemunhar
12. Não saber como comunicar o evangelho
13. Falta de confiança

XIII. ESTRATÉGIAS DE EVANGELIZAÇÃO URBANA

VII. OITO DECISÕES PARA A IGREJA NO CONTEXTO URBANO:

VIII. PRINCÍPIOS RELEVANTES PARA FAZER MISSÕES E EVANGELISMO EM UM CONTEXTO URBANO

XII. PASTOREANDO A CIDADE (POR UMA CIDADE REFORMADA)

CAPÍTULO VI - A SOBERANA ELEIÇÃO DE DEUS E A EVANGELIZAÇÃO

1. A Amorosa Soberania da Eleição
2. A Eleição Requer Evangelização
3. A Preterição e o Oferecimento do Evangelho
4. A Apresentação da Eleição aos Não Salvos

Curso de Evangelismo Explosivo

Bibliografia:

1. Jerram Barrs, A Essência da Evangelização. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã. 2004.
2. Ariovaldo Ramos, Ação da Igreja na Cidade, Ed. Sepal, SP-SP, 1995.
3. R.B. Kuiper. Evangelização Teocêntrica. São Paulo, SP: Editora PES. 1976
4. Gilson Carlos de S. Santos, Fidelidade na Evagelização, Fé para Hoje (periódico
5. J.I.Packer, Evangelização e Soberania de Deus, Vida Nova
6. Joseph Alleine, Um guia seguro para o céu, Ed. Vida Nova, SP-SP, 1977.
7. Joseph C Aldrich., Amizade - a chave para a Evangelização, Ed. Vida Nova, São Paulo
8. Lausane, Evangelização e Resposnabilidade Social.
9. Michael Green, Evangelização na Igreja Primitiva, Vida Nova
10. Owen Thomas, 4 Dimensões da Evangelização, Pes
11. Ravi Zacarias, Evangelismo e o Novo Milênio (barreiras da mente e anseios do coração) – Artigo.
12. Russel Shedd, Fundamentos Bíblicos da Evangelização, Vida Nova
13. Spurgeon, C.H., O Conquistador de Almas, P.E.S. Editoras, SP-SP, 1978.
14. William Smith & Solano Portela, Fazendo a Igreja Crescer, Os Puritanos
15. Charles Van Engen , Povo Missionário, Povo de Deus, Vida Nova
16. Horton, Michael, Religião de Poder, Ed. Cultura Cristã ( São Paulo: 1998 )
17. Maia, Herminstein, Breve Teologia da Evangelização , Ed. PES

sábado, 21 de fevereiro de 2009

CALVINO E A EDUCAÇÃO

CALVINO E A EDUCAÇÃO

Verdade e Pluralidade - Introdução

Todos os que chegam à Universidade a cada ano logo se apercebem da pluralidade de entendimentos, concepções e valores que marcam o ambiente universitário. Embora a diversidade esteja presente em sua vida muito antes de se tornar um universitário, é aqui na Academia que o estudante sentirá mais de perto a sua força.

A pluralidade é um dos conceitos ícones da nossa geração, uma das marcas da moderna Universidade. Como tal, requer a nossa atenção, especialmente pelo fato de sermos uma Universidade confessional. Ainda que a pluralidade seja considerada como um dos postulados mais bem estabelecidos da nossa era, é saudável refletirmos sobre sua natureza, efeitos e desafios.

1) Pluralidade na Universidade

Embora o ensino superior exista desde a Antiguidade, a Universidade moderna teve suas origens na Europa do séc. XII, conforme a opinião mais aceita, e deve sua forma atual às universidades de Bolonha, Paris e Oxford, que surgiram durante o século XIII. Apesar de ter sofrido influências e transformações oriundas da Renascença, da Reforma e do Iluminismo, a Universidade permaneceu basicamente a mesma e é uma das instituições mais antigas e estáveis do mundo ocidental.

As universidades medievais surgiram graças a diferentes fatores, como atender à crescente demanda de pessoas em busca de educação, o desejo idealista de obter conhecimento, a resistência ao monopólio do saber pelos mosteiros, a vitalidade das escolas mantidas pelas catedrais e o desejo de reformar o ensino. Todavia, elas tinham um objetivo comum, uma mesma missão, que era a busca do conhecimento unificado que permitisse a compreensão da realidade.

Universitas, na Idade Média, era um termo jurídico que, empregado para as escolas, significava um grupo inteiro de pessoas engajadas em ocupações científicas, isto é, professores e alunos. Só mais tarde o termo viria a significar uma instituição de ensino onde essas atividades ocorriam. Tal designação já aponta para a tarefa que pessoas diferentes tinham em comum: a busca da verdade em meio à pluralidade de compreensões. Esse alvo requeria uma síntese das diferentes visões e compreensões de mundo, um campo integrado que desse sentido aos mais diversos saberes. O princípio subjacente à criação das universidades, portanto, era a procura das verdades universais que pudessem unir as diferentes áreas do conhecimento. Daí o nome “universidade”.

Quando as universidades medievais surgiram, a cosmovisão cristã que dominava a Europa fornecia os pressupostos para essa busca da unidade do conhecimento. Hoje, a visão cristã de mundo é excluída a priori em muitas universidades modernas pelos pressupostos naturalistas, humanísticos e racionalistas que passaram a dominar o ambiente acadêmico depois do Iluminismo. Tais pressupostos não têm conseguido até o presente suprir uma base comum para as diferentes áreas do saber. A fragmentação do conhecimento tem sido um resultado constante na Academia, como se as diferentes disciplinas tratassem com mundos distintos e contraditórios.

Lamentavelmente, hoje, muitas universidades viraram multiversidades ou diversidades, abandonando a busca de um todo coerente, de uma cosmovisão que dê sentido e relacionamento harmônico a todos os campos de conhecimento. Esse fenômeno se verifica primariamente na área das ciências humanas; todavia, nem mesmo a área das exatas lhe é totalmente imune, como testemunham as diversas percepções, por vezes conflitantes entre si, na matemática, física e química.

Conforme Allan Harman escreve:

As universidades em geral não mais possuem um fator integrador. A palavra “universidade” tem a idéia de unidade de conhecimento ou de abordagem. Derivada do latim “universum” refere-se à totalidade ou integração. Claramente o conceito era de que, dentro de uma universidade, havia aderência a uma base comum de conhecimento que interligava o ensino em todas as escolas.
Edgar Morin, intelectual francês contemporâneo, percebe corretamente essa fragmentação do conhecimento e da educação nas diversas obras que tem publicado.

Para ele,

... o sistema educativo fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade... As disciplinas como estão estruturadas só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem.

2) Entendendo a Pluralidade

É evidente que existe uma grande pluralidade ou diversidade no mundo. A criação de Deus é plural, a humanidade feita à imagem dele é plural, as culturas são plurais, as idéias são plurais. Há uma enorme e fascinante diversidade na realidade que nos cerca. Para nós, essa impressionante variedade da existência revela a riqueza, o poder e a criatividade de Deus, conforme a Bíblia registra no Salmo 104.24,

Que variedade, Senhor, nas tuas obras!
Todas com sabedoria as fizeste;
cheia está a terra das tuas riquezas.

Tal entendimento em nada compromete nossa busca na academia por verdades absolutas e universais. As dificuldades surgem quando se confunde pluralidade com relativismo radical e absoluto. Esse último nega os conceitos de unidade, igualdade, harmonia e coerência que existem no mundo, entre idéias, pessoas e culturas. O relativismo total pretende desconstruir o princípio implícito de verdade absoluta, de valores, conceitos e idéias que sejam válidos em qualquer lugar e a qualquer tempo. Nesse sentido, a pluralidade se confunde com o relativismo que domina a mentalidade contemporânea, sendo entendida como a convivência de idéias e concepções contraditórias que devem ser igualmente aceitas, sem o crivo do exame da veracidade e sem que uma prevaleça sobre a outra, visto serem consideradas todas verdadeiras.

Para nós, que somos uma Universidade que se orienta por um conjunto de fundamentos – no caso, a fé cristã reformada –, a pluralidade, entendida como diversidade, é muito bem-vinda. A enorme variedade que caracteriza nosso mundo não anula de forma alguma a existência de verdades gerais e universais. Quando, todavia, a pluralidade é entendida como relativismo total ou sistema de contradições igualmente válidas, precisamos analisar o assunto com mais cuidado.

3) Desafios da Pluralidade

O relativismo absoluto gera diversos problemas de natureza prática, como, por exemplo, a dificuldade de se viver o dia a dia de forma coerente com a crença de que tudo é relativo. Mesmo os relativistas mais radicais são obrigados a capitular diante da inexorável realidade: a vida só pode ser organizada e levada à frente com base em princípios, valores e leis universais que sejam observados e reconhecidos por todos. Concordamos com Edgar Morin quanto à sua percepção da complexidade da vida e da existência . Todavia, entendemos que o reconhecimento de que todas as áreas de atividades e conhecimento são complexamente interligadas reflete um propósito unificado e uma origem única, apontando para o Criador. É evidente que essa interligação das partes com o todo, e vice-versa reforça a possibilidade de se buscar princípios e valores universais que permeiam e regulam o universo de conexões e aderências.

Dificilmente o ser humano consegue conviver em paz com o relativismo absoluto. Existe uma busca interior em cada indivíduo por coerência, síntese e unidade de pensamento, sem o que não se pode encontrar sentido na realidade, um lugar no mundo e nem mesmo saber por onde caminhar. Acreditamos que este ímpeto é decorrente da imagem de Deus no homem, um Deus de ordem, de propósitos, coerente e completo.

Para muitos, o ideal do pluralismo de idéias no ensino significa simplesmente que a Universidade deveria ser o local neutro onde todas as idéias e seus contraditórios tivessem igualdade de expressão, cabendo aos alunos uma escolha, ou não, daquelas que lhe parecerem mais corretas. Todavia, conforme bem escreveu Robert P. Wolff, a neutralidade da Universidade diante dos valores é um mito. É inevitável o posicionamento ideológico diante das questões da vida e do conhecimento. Esse ponto é inclusive reconhecido, ainda que timidamente, pela Lei de Diretrizes e Bases, quando define as universidades confessionais como aquelas que “atendem a orientação confessional e ideologia específicas.”

4) Verdade

As universidades de orientação confessional cristã há muito têm procurado desenvolver um modelo acadêmico em que a busca da verdade seja feita a partir da visão de mundo cristã em constante diálogo com a pluralidade de idéias e com a diversidade de visões e entendimentos. Não é tarefa fácil diante do mundo pluralista em que vivemos, a ponto de que alguns têm defendido que as próprias universidades confessionais desistam desse ideal.

Diante do quadro de fragmentação do saber e do relativismo que domina, em várias instâncias, a mentalidade universitária, afirmamos a existência, a realidade e a importância da verdade, de conceitos que são universalmente válidos em todas as áreas do conhecimento e da vida. Aqui, afirmamos as seguintes “verdades sobre a verdade":

1. A verdade é descoberta e não inventada. Ela existe independentemente do conhecimento que uma pessoa tenha dela. Ela existe fora de nós e não somente dentro de nós.

2. A verdade é transcultural. Se algo é verdadeiro, será verdadeiro em todas as culturas e tempos, ainda que sua expressão possa variar de acordo com o ambiente vivencial das pessoas.

3. A verdade é imutável, embora a nossa crença sobre ela possa mudar. Ela permanece a mesma, o que é relativo é nossa percepção dela.

4. As crenças das pessoas não podem mudar a verdade, por mais honestas e sérias que sejam.

5. A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa ou de quem a nega.

Conclusão

Reconhecemos a diversidade e a complexidade das idéias, conceitos, costumes e valores existentes. Questionamos, todavia, que a pluralidade implica na total relativização da verdade. Afirmamos a existência de idéias e valores absolutos, princípios e verdades espirituais, éticas, morais, epistemológicas universais.

Cremos que o Cristianismo bíblico fornece o fundamento para a compreensão da realidade como um todo coerente, sempre levando em conta a fabulosa variedade da existência humana.

Encorajamos os alunos, os professores e o pessoal administrativo do Mackenzie a refletir sobre o fato de que a pluralidade, entendida como saudável diversidade, dentro de referenciais e sem a negação da verdade, enriquece o conhecimento humano e leva à melhor percepção de nós mesmos, de nosso mundo e de nosso Criador.

Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie


FONTE: http://www.mackenzie.br/ano2007000.html

Prof. Luis Cavalcante - http://luis-cavalcante.blogspot.com

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

MÓDULO DE FEVEREIRO

Retorno das aulas no dia 3 de fevereiro.

MÓDULO DE FEVEREIRO:

Terça-feira: PREPARANDO PROFESSORES PARA ENSINAR

Quinta-feira: CONHECENDO AS SEITAS E HERESIAS

Inscrições: 03/02/09 à 05/02/09 na Secretaria do IBER – Horário das 18h às 22h.

Taxa de inscrição: R$ 40,00 (Esta taxa já inclui a mensalidade de fevereiro)

Maria Aparecida Spina dos Santos
secretaria@iposasco.org.br
www.iposasco.org.br
55 11 3682-3075

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

EM 2009, VENHA ESTUDAR TEOLOGIA NO IBER - CURSO BÁSICO DE TEOLOGIA - QUATRO SEMESTRES, DUAS VEZES POR SEMANA, TERÇA E QUINTA-FEIRA DAS 20h00 às 22h00.

JOÃO CALVINO: SUA VISÃO PASTORAL por Rev. Gildásio Reis

“Calvino é pastor zeloso e incansável no seu esforço em favor de suas muitas ovelhas, sofridas e angustiadas por males de toda sorte” –– Wilson Castro Ferreira

Muitos membros em nossas igrejas e principalmente nós pastores, estamos mais acostumados a pensar na figura do “Grande Reformador” como um Teólogo, do que como um pastor de almas (embora estas duas coisas não sejam excludentes ). É indiscutível a capacidade de João Calvino como estudioso, teólogo, escritor e expositor sério da Escritura; mas há um lado de Calvino muitas vezes esquecido, o qual precisamos resgatar – seu lado pastor. E penso que olhar para a figura de Calvino nessa perspectiva pastoral, pode em muito nos ajudar hoje em nossa caminha­da como pastores.

Gostaria, portanto, mesmo que de maneira condensada, olhar para Calvino nesta perspectiva, e refletir como ele desenvolveu seu pastorado nas seguintes áreas: Na pregação, na visitação e no aconselhamento. Ninguém tem dúvida, de que estas três áreas são vitais no ministério pastoral.

1) Calvino como pregador.

A pregação das Escrituras na sua totalidade, constituía o alicerce do seu trabalho pastoral. Diz ele que “A Escritura é a fonte de toda a sabedoria, e os pastores terão de extrair dela tudo o que eles expõem diante do rebanho”. [1] Sua convicção é de que pela exposição da Palavra de Deus as pessoas são conduzidas à liberdade e à segurança da fé salvadora, e a verdadeira pregação, tem o objetivo de abrir a porta do reino ao ouvinte. [2] Pela pregação, a plenitude da graça de Deus alcança o coração das almas carentes.

Em suas pregações, comentários e cartas pessoais dirigidas a amigos [3], Calvino ad­verte os fiéis com respeito aos perigos da vida cristã, sobretudo em contato com a oposição de um mundo hostil aos valores do reino de Deus. Como pastor, Calvino também critica severamente seus oponentes teológicos e freqüentemente afirmava que “o verdadeiro pastor tem duas vozes: uma para chamar as ovelhas e outra para espantar os lobos devoradores”. [4]

É óbvio que, se entendemos que a pregação da Palavra é a comunicação da graça de Deus ao coração de nossos ouvintes, nós pastores precisamos ser mais zelosos na preparação e na entrega de nossos sermões. Isto porque, não pregamos para mostrar nosso conhecimento bíblico ou capacidades de oratória, mas para que vidas sejam edificadas e transformadas. Por isto, o Pastor Calvino exorta-nos sobre o grande privilégio e responsabilidade na exposição da Palavra, considerando que “a infidelidade ou negligência de um pastor é fatal à igreja”. [5]

Seguir o exemplo de Calvino na pregação, é pregar com o propósito de produzir pessoas que reflitam a medida de maturidade de que falou o escritor de Hebreus: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Hb 5.14).

Infelizmente, a pregação em nossos dias, parece ter esquecido estas verdades. Algumas pregações hodiernas contêm mais entretenimento do que ensino. Na verdade, muitos pregadores consideram o ensino doutrinário (pregação expositiva) como algo indesejável e sem utilidade prática, preferindo um sermão repleto de histórias engraçadas, revelando muito pouco do coração de Deus. Não é o tipo de pregação que as Escrituras exigem de nós.

Temos de pregar a Palavra (2 Tm 4.2); falar “o que convém à sã doutrina” (Tt 2.1). É preciso resgatar a visão do pastorado de Calvino quanto a pregação, e este é o nosso grande desafio, numa época de superficialidades e entretenimento.

2) Calvino como visitador.

Expondo a idéia de Calvino quanto à visitação, Wallace diz que se o pastor tiver uma real preocupação pastoral para com aqueles para quem ele está pregando, irá procurar não falhar em visitá-los em seus lares. [6] É explícita esta idéia em Calvino, quando ao comentar Atos 20:20, diz que Paulo estabeleceu um modelo para o ministério da Palavra quando falava sobre como ele não cessava de admoestar tanto “publicamente” quanto de “casa em casa”. [7] “O que quer que os outros pensem, não consideramos nosso cargo como algo dentro de limites tão estreitos como se, quando o sermão estiver terminado, pudéssemos descansar como se nossa tarefa tivesse terminada. Aqueles cujo sangue será requerido de nós se os perdermos por causa de nossa preguiça, devem ser cuidados muito mais de perto e de modo mais vigilante”. [8]

Infelizmente essa prática vem aos poucos sendo esquecida, e mesmo aquelas igrejas que ainda valorizam a visitação, nem sempre a faz de maneira eficaz e com o propósito bíblico. Isto porque a visita para muitos, limita-se a uma conversa informal sobre muitos assuntos, acompanhada de uma xícara de café e bolinhos. [9] Contudo, há vários termos na Bíblia que mostram que a visitação pastoral é para encorajar os desanimados (I Tes 5:11,14;), fortalecer os fracos (Gl 6:1), repreender os desatentos (2 Tm 3:16,17), o instruir na sã doutrina (2 Tm 4.2), etc...

Calvino tinha uma visão clara da finalidade da visita por parte dos pastores e presbíteros. Para ele, a pregação pública deve ser suplementada com visitas pastorais: “Não é suficiente que, do púlpito, um pastor ensine todas as pessoas conjuntamente, pois ele não acrescenta instrução particular de acordo com a necessidade e com as circunstâncias específicas de cada caso”. [10]

É fato que o grande reformador, desenvolveu seu pastorado dispensando grande cuidado à visitação dos enfermos [11], e Ronald Wallace nos lembra que Calvino prescreveu em suas Ordenanças Eclesiásticas, que ninguém deveria permanecer três dias inteiros confinado à sua cama sem cuidar para que o ministro seja notificado e...quando qualquer pessoa desejar que o ministro vá à sua casa, deve cuidar de chamá-lo numa hora conveniente para a visita. [12]

Talvez alguém possa pensar que Calvino tinha tempo de sobra e só por isso ele conseguia fazer as visitas. Não é bem assim. Observe como Halsema fala sobre a agenda diária do Reformador:

Calvino trabalhava de uma maneira que teria esgotado qualquer homem com saúde. Estava em pé e ocupado às cinco da manhã. Se doente, ele estava na cama e ocupado, com livros espalhados sobre a colcha. Aos domingos ele pregava duas ou três vezes em Saint Pierre. Em semanas alternadas, pregava sermões na segunda, quarta e sexta-feira. Semanalmente, fazia conferências públicas na terça, quinta e sábado. Nas quintas-feiras ele também presidia a reunião do conselho da igreja, na qual todos os ministros e presbíteros se reuniam para estudar as Escrituras. Calvino assumia sua parcela de responsabilidades nas visitas aos doentes e prisioneiros. Visitava as famílias da sua paróquia com regularidade, como tivera estabelecido nas Ordens. Esses eram os deveres normais. [13]

Não tenho dúvidas de que o domingo é um dia essencial para a realização do serviço pastoral, mas Calvino adverte: “não consideramos nosso cargo como algo dentro de limites tão estreitos como se, quando o sermão estiver terminado, pudéssemos descansar como se nossa tarefa tivesse terminada” [14]. Lamentavelmente, existem pastores que pensam e agem desta maneira.

Ricardo Agreste citando Eugene Peterson, deixa muito clara a idéia de que o pastor não deve limitar seu pastorado apenas aos domingos. Diz ele:

Assim, como muitos outros pastores, deparo-me com a realidade de que, apesar do Domingo ser um dia essencial no serviço pastoral, muito deste ministério precisa ser feito em meio ao caos de Segunda a Sábado ....Nossas igrejas estão necessitando de pastores que conduzam suas ovelhas através de suas limitações e crises, com amor e paciência na direção da maturidade em Cristo Jesus. Nossas comunidades precisam de guias que, através da oração e da Palavra, ajudem as pessoas a caminharem através de suas crises e a viverem em meio ao caos. [15]

Mesmo sendo um pastor muito ocupado, Calvino encontrava tempo para a visitação. Mesmo porque, visitar as ovelhas não era uma questão de ter ou não tempo, mas uma questão de visão pastoral. Visitar fazia parte da sua filosofia ministerial. Mormente, precisamos compreender que, o ministério de visitação não teve sua importância apenas nos dias de Calvino. Visitar ainda é relevante para o ministério contemporâneo, pois pela visitação, o pastor adquire direta e imediatamente conhecimento dos problemas básicos e profundos de suas ovelhas, podendo orientá-las nas Escrituras; e é pela visitação que o pastor tem como aplicar de maneira mais pessoal e direta a Palavra de Deus; bem como, pela visitação, o pastor conhece os outros membros da família que porventura não são membros da igreja, tendo assim a oportunidade de falar-lhes de Cristo.

3) Calvino como Conselheiro.

Calvino também no exercício de seu pastorado, sempre procurou encorajar pessoas sobrecarregadas, que não conseguiam encontrar consolo mediante sua própria aproximação de Deus, a procurarem seu pastor para aconselhamento particular e pessoal. Nas palavras de Ferreira, “Calvino é pastor zeloso e incansável no seu esforço em favor de suas muitas ovelhas, sofridas e angustiadas por males de toda sorte”. [16]

Conforme registro de um dos seus colegas pastores em Genebra, “(...) os que lhe procuram são recebidos com simpatia, gentileza e sensibilidade. Ele os atende e prontamente lhes responde as perguntas, mesmo as mais sérias delas. Sua sabedoria é demonstrada nas entrevistas particulares tanto quanto nas conversas públicas onde ele conforta os entristecidos e encoraja os abatidos...”. [17]

Como já dito, Calvino acreditava que o ensino, além de ser público nos cultos, deveria ser acompanhado por orientação pessoal e aplicado às circunstâncias específicas da vida de suas ovelhas. Atendia noivos que estavam se preparando para o casamento, pais que traziam seus problemas relacionados aos seus filhos, pessoas com dúvidas ou dificuldades doutrinárias, lutas com enfermidades, ouvia confissões de pecados, e a todos ele os recebia e levava o conforto e o encorajamento necessários. [18]

Penso eu, que a razão pela qual Calvino entendia que o aconselhamento era indispensável para o trabalho pastoral, é que Deus estabeleceu a igreja como seu principal instrumento para cuidar de nossas dores e sofrimentos pessoais. Portanto, na qualidade de conselheiro, o pastor não pode deixar para a psicologia secular o cuidado de suas ovelhas, ao contrário, deve assumir esta responsabilidade e restaurar pessoas perturbadas, e orientando-as biblicamente conduzi-las à vidas plenas e produtivas para a glória de Deus.

Concluindo, penso que podemos ter Calvino como um exemplo de pastor, pois o mesmo atende à orientação que Pedro dirige ao escrever a nós pastores nos dias atuais: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos de rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” (I Pe 5.1-4).

Sigamos o exemplo de Calvino. Sejamos pastores, pastores de almas.

(Texto primeiramente publicado na Revista PROPOSTA da UPH – Quarto Trimestre de 2004 )

NOTAS:

[1] - João Calvino, As Pastorais, Comentário em I Tm 4:13, p. 123
[2] - VALLACE, Ronald. Calvino, Genebra e a Reforma . São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã. 2004 p. 145
[3] - Calvino tinha muitos amigos, ebtre eles Viret e Fare, e as cartas escritas a estes dois homens superam em número aquelas dirigidas a qualquer outra pessoa. A Viret escreveu ele mais de 60 cartas e a Farel mais de 90. Através destas cartas é possível conhecer muito o coração pastoral de Calvino. Cf. Ferreira, p. 155
[4] - Wallace, Op Cit., p. 144
[5] - João Calvino, As Pastorais,( comentário em I Tm 4:16 ), p. 126
[6] - VALLACE, Op Cit., p. 147
[7] - Calvin , John. Calvin´s Commentaries – The Acts Of The Apostles . Vol. II. Grand Rapids, Michigan: Eerdmans Publishins Company. 1973 p. 175
[8] - Wallace, Op Cit., p. 147
[9] - SITTEMA, John. Coração de Pastor – Resgatando a Responsabilidade Pastoral do Presbítero . São Paulo , SP: Ed. Cultura Cristã. 2004 p. 198
[10] - Calvin , John. Calvin´s Commentaries – The Epistles Of Paul – The Apostle To The Romans And To The Thessalonians. Grand R apids , Michigan : Eerdmans Publishins Company. p. 345 ( Ao camentar I Tessalonissenses 2:11, Calvino insiste em que o pastor precisa ser um “pai” para cada pessoa.
[11] - LESSA, Vicente Tenudo. Calvino -1509-1564 – Sua Vida e a Sua Obra. São Paulo, SP: Casa Editora Presbiteriana. P. 119
[12] - Wallace. Op Cit., p. 148
[13] - HALSEMA, Thea B. Van. João Calvino Era Assim. São Paulo, SP: ED. Vida Evangélica. 1968. p. 139
[14] - Wallace, Op Cit., p 147
[15] - http://www.editorasepal.com.br/sepal/jornal/out_dez2001/pastorear.htm (capturado em 22/03/04)
[16] - F erreira , Wilson Castro. Calvino: Vida, Influência e Teologia. Campinas, SP: LPC. 1985. p. 153.
[17] - Palavras de Nicolas des Gallars registradas por Richardr Staufer em The Humanness of John Calvin (New York: Abingdon Press, 1971) e citadas por Baumann.
[18] - Calvino , João. As Institutas da Religião Cristã. Vol. IV, 3: 6 - São Paulo, SP: Casa Editora Presbiteriana. 1989.

Rev. Gildásio Reis, Pastor da Igreja Presbiteriana de Osasco, Psicanalista Clínico, Mestre em Teologia pelo centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (Educação Cristã) e Professor de Teologia Pastoral no Seminário Presbiteriano “Rev. José Manoel da Conceição”.

Agradecemos ao autor pelo envio do texto para publicação no Monergismo.com!
Fonte: http://www.monergismo.com/textos/jcalvino/calvino_pastor_gildasio.htm