quarta-feira, 30 de setembro de 2009

OS PIONEIROS PRESBITERIANOS DO MACKENZIE

Prof. Dr. Alderi Souza de Matos

A Escola Americana e o Mackenzie College resultaram da iniciativa e esforços de um grande número de homens e mulheres, norte-americanos, brasileiros e portugueses. Quase todos tinham em comum o fato de serem filiados à Igreja Presbiteriana. Gostaríamos de destacar os nomes mais importantes dentre os muitos que constituem essa história.

1. Os precursores

A obra presbiteriana foi iniciada em São Paulo na década de 1860. O primeiro missionário a fixar residência na capital paulista foi o Rev. Alexander Latimer Blackford (1829-1890), que, após passar três anos no Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo em outubro de 1863. Estava acompanhado de sua esposa, Elizabeth, irmã do Rev. Ashbel G. Simonton, o introdutor do presbiterianismo no Brasil. Em 5 de março de 1865, num sobrado próximo ao Largo de São Bento, Blackford fundou a Igreja Presbiteriana de São Paulo, recebendo solenemente os primeiros membros. No final de 1867, com a morte de Simonton, o pastor da Igreja do Rio de Janeiro, Blackford teve de retornar à capital do império, a fim de dar assistência àquela igreja pioneira.

Dois pastores foram escolhidos para substituir Blackford em São Paulo, sendo um deles George W. Chamberlain, que se achava nos Estados Unidos estudando teologia. O outro era Emanuel Nunes Pires (1838-1896), um português da Ilha da Madeira que havia sido ordenado nos Estados Unidos. Desde setembro de 1866 ele vinha auxiliando Blackford em São Paulo. Em janeiro de 1868, pouco depois da saída de Blackford, chegou um novo missionário para trabalhar ao lado de Nunes, o Rev. Hugh Ware MacKee (1840-1877). Nunes e MacKee ficaram pouco tempo em São Paulo, o primeiro ausentando-se em setembro de 1869 e o segundo em julho de 1870.

2. Os fundadores

Em outubro de 1869, finalmente fixou residência em São Paulo o Rev. George Whitehill Chamberlain (1839-1902), dando início a um longo e profícuo pastorado de quase vinte anos. Um hábil pastor e evangelista, Chamberlain consolidou a pequena Igreja Presbiteriana de São Paulo e em 1870, ao lado de sua esposa Mary Ann Annesley, lançou as bases da Escola Americana, iniciada na sala de jantar do casal de missionários. No ano seguinte, a escolinha passou a funcionar nas instalações da igreja, junto ao Largo de São Bento, e em 1876 veio a ter a sua sede própria na esquina das ruas de São João e do Ipiranga.

Os primeiros professores da Escola Americana, além do casal Chamberlain, foram o futuro escritor Júlio César Ribeiro e as jovens Palmira Rodrigues e Adelaide Molina, bem como as educadoras Mary Parker Dascomb e Harriet Greenman. Mais tarde, ainda na década de 1870, ali também lecionaram os futuros pastores Antonio Pedro de Cerqueira Leite, Antonio Bandeira Trajano, Eduardo Carlos Pereira, Zacarias de Miranda e João Ribeiro de Carvalho Braga, bem como as professoras Alexandrina Teixeira da Silva Braga, Elmira Kuhl, Phoebe R. Thomas e Mary Lenington, todos ligados à Igreja Presbiteriana. Vários desses mestres escreveram importantes obras didáticas, como a Gramática da Língua Portuguesa de Júlio Ribeiro, a Aritmética de Antonio Trajano e a Gramática Expositiva de Eduardo C. Pereira. Merece destaque especial a pessoa do Rev. John Beatty Howell (1847-1924), que esteve em São Paulo de 1874 a 1884, auxiliando o Rev. Chamberlain na igreja e na Escola Americana, da qual foi diretor.

3. Os consolidadores

Com o crescimento da Escola Americana e a perspectiva da criação de cursos superiores, Chamberlain buscou alguém que pudesse assumir a direção da escola em tempo integral. A escolha recaiu sobre a figura do médico e educador Horace Manley Lane (1837-1912), que passou a dirigir a entidade no segundo semestre de 1885, ao mesmo tempo em que se filiou à Igreja Presbiteriana de São Paulo. A partir de 1891, Lane tornou-se o presidente do complexo Escola Americana/Colégio Protestante, cargo que exerceu com grande competência por mais de vinte anos, até a sua morte em 1912.

Um importante colaborador de Horace Lane foi o Rev. Modesto P. de Barros Carvalhosa (1846-1917), que por muitos anos foi um dos dirigentes e professores da Escola Americana e do Mackenzie, para o qual escreveu a obra didática Compêndio de Escrituração Mercantil. Outros personagens destacados dos primeiros tempos do Mackenzie foram o latinista Francisco Rodrigues dos Santos Saraiva, a educadora Marcia P. Brown, o professor Remígio de Cerqueira Leite, o Rev. Robert Lenington, o Rev. Donald Campbell MacLaren, o segundo presidente do Colégio Protestante, e especialmente o Rev. William Alfred Waddell (1862-1939), o talentoso pastor e engenheiro que, tendo chegado ao Brasil em 1890, supervisionou a construção do primeiro edifício do Mackenzie e presidiu por duas vezes a instituição (1914-1927, 1933).

Estes foram os grandes pioneiros do Mackenzie em seus primeiros trinta anos de existência (1870-1900). Sua visão, entusiasmo e convicções evangélicas somaram-se para plasmar uma instituição que muito tem feito pela educação integral em nosso país.

Fonte: UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE