sábado, 6 de março de 2010

A REGENERAÇÃO - AS GRANDES DOUTRINAS DA GRAÇA

Escola Dominical da IPO – 07/03/2010 d.C
Lição 4: A REGENERAÇÃO
Objetivo: Entender a regeneração como uma obra da soberania de Deus e sua primazia (ainda que não cronológica) em relação aos demais eventos da salvação.

Introdução: Para que uma pessoa seja salva, a primeira coisa que deve acontecer dentro dela é a regeneração. Através da regeneração nos tornamos vivos para Deus, e somos habilitados à conversão.

Definição: Na Bíblia, a palavra regeneração pode ser entendida como a implantação da vida espiritual naqueles que estavam espiritualmente mortos. É um ato exclusivo de Deus. Essa vida implantada, de acordo com a Escritura, se manifestará em arrependimento e fé, produzindo transformação na pessoa (Jo 3.3; Tg 1.18; 1Pe 1.23).

1. O homem está morto espiritualmente. Efésios 2.1-3 (cf. João 8.34; Jr 13.23; 17.9; MT 15.18-19): Para entender a Regeneração, antes precisamos entender a situação do ser humano por natureza. Várias expressões são importantes no texto de Efésios 2.1-3 para nossa discussão:
Mortos nos delitos e pecados se refere à corrupção natural do ser humano, que nasce sob a servidão do pecado e passa toda a vida nessa situação, cometendo pecado e sendo escravo do pecado (Jo 8.34). Em tal estado, o homem é absolutamente incapaz de mudar a situação e produzir vida em si mesmo. Ele não tem forças para dar um passo em direção a Deus, nem vontade para isso. Ele não pode se inclinar em direção a Deus porque já está naturalmente inclinado para três coisas: “O curso deste mundo”, “o príncipe da potestade do ar”, e “as inclinações da carne”. Nesse texto Paulo demonstra que para salvar os homens, Deus precisa dar vida a eles, e não apenas oferecer o Evangelho. Se não houver a implantação de vida, pregar o Evangelho é o mesmo que falar às paredes.

Quando falamos em morte espiritual não estamos pensando em inércia ou falta de ação. O homem está continuamente agindo, porém, buscando seus próprios interesses, agindo sempre em conformidade com sua natureza pecaminosa, cometendo pecado e gostando do que faz. Ele busca seu próprio “bem estar”, embora, jamais conseguirá isso, pois isto não é possível longe daquele que o criou. Nessa busca por seu próprio bem estar ele é completamente cego para as coisas de Deus (2Co 4.4).

Então o que é a regeneração? É o ato divino pelo qual ele implanta vida na pessoa que estava espiritualmente morta. Por um ato exclusivo de Deus, o morto passa a viver espiritualmente. A regeneração não é um processo, é um ato instantâneo de Deus de dar vida a alguém que estava morto. Os frutos da conversão podem aparecer aos poucos, mas a regeneração não acontece aos poucos, ela acontece de uma vez por todas. Assim como alguém não pode estar “meio vivo”, também não pode estar “meio regenerado”. Ou está morto ou está vivo, ou está regenerado ou não está.

2) A regeneração e a Palavra: Como acontece a regeneração? Em Atos há um registro de um caso que nos ajuda a entender esse assunto. (At 16.13-14). Enquanto Lídia ouvia a pregação de Paulo, Deus lhe abriu o coração para atender, ou seja, aceitar as coisas que Paulo dizia. Isso é regeneração, e geralmente, é assim que ela acontece. Enquanto alguém está ouvindo a Palavra de Deus, Deus faz sua voz penetrar nos ouvidos mortos e implanta a vida espiritual. Então, surge a fé, pois a fé é um resultado da regeneração. É preciso que se entenda que a fé é fruto da regeneração, não a sua causa (Rm 10.17).

Tiago fala da regeneração pela Palavra (1Pe 1.23): A regeneração acontece “mediante” ou seja, através da Palavra de Deus. Não significa que Deus “precise” da Palavra para implantar vida nas pessoas, mas que ordinariamente, é assim que Deus age: enquanto a Palavra é pregada, o Espírito Santo age na vida do ouvinte, fazendo com que ele entenda a Palavra e, então, implanta o princípio de vida que se desenvolverá até se expressar em conversão e mudança de atitude.

3) A prioridade da regeneração: Devemos entender a regeneração como a primeira coisa que acontece no processo em que se evidencia a salvação de uma pessoa. Vimos que a origem do processo está na eternidade, na eleição. A regeneração acontece no momento do chamado, quando Deus resolve cumprir na vida de alguém seu propósito estabelecido na eleição.
Regeneração não deve ser confundida com conversão, embora uma não aconteça sem a outra. A regeneração é o que possibilita a conversão. A conversão é a manifestação visível (em arrependimento e fé) de que a regeneração aconteceu. Quando dizemos que uma pessoa convertida é uma pessoa regenerada, o que se tem em mente, é que para se converter, ela precisa ser regenerada.
A regeneração é uma obra sobrenatural de Deus que o homem não consegue produzir, participar, e de certa forma, nem mesmo verificar. McGregor Wright diz que “a regeneração é um ato instantâneo, acontecendo de um modo bem profundo, na região subconsciente do mais íntimo do coração, e é, portanto, não-experiencial”. De fato, nunca poderemos ter certeza do momento quando ela acontece. Conseguimos ver com alguma acuracidade quando a conversão ocorre, pois a conversão se revela em arrependimento e fé, e às vezes produz efeitos emocionais. Mas, a regeneração é uma experiência impossível de ser sentida ou percebida. Só saberemos dela depois que ela já tiver acontecido, pelos frutos que sobrevirão. Os frutos se demonstrarão em todo o processo da salvação.
Conclusão: Quando entendemos nosso estado decaído, de morte espiritual na qual naturalmente todos estávamos, podemos perceber a obra maravilhosa que é a regeneração em nós. Quando lembramos que muitos de nós fomos relutantes em aquiescer ao Evangelho, que fomos rebeldes e quem sabe até perseguidores, vemos quanta misericórdia Deus demonstrou em abrir nossos olhos, curar nossa cegueira espiritual, e nos fazer levantar de nossa morte para uma vida junto dele. Devemos louvar a Deus pelo fato de nos ter dado vida, estando nós mortos espiritualmente. Se ele não fizesse isso, estaríamos mortos para sempre.
Aplicação e discussão:
1. A regeneração é um processo que acontece ao longo da vida cristã ou um ato único, instantâneo?
2. Existe alguma participação do homem na regeneração?
3. O que significa dizer que o homem está “morto espiritualmente”?
4. Qual seria diferença entre regeneração e conversão?
5. Qual a importância da pregação da Palavra para a regeneração?


Local: Igreja Presbiteriana do Brasil em Osasco – I.P.O.
Rua Rev. Paulo Lício Rizzo, 207 – ao lado da Câmara Municipal de Osasco – travessa da Av. dos Autonomistas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A ALEGRIA PASSAGEIRA DO CARNAVAL

Estamos em pleno feriado de carnaval. Data esperada com grande expectativa por muitos e considerada a grande festa do povo brasileiro. Há pessoas que se dedicam durante meses para esta folia anual. Nesta época parece que todos estão “alegres”, “felizes”. E não há nada de errado em querer ser feliz. Aliás, tal anseio é uma experiência humana universal, e é algo bom, não pecaminoso. No entanto, a felicidade, a alegria verdadeira, profunda e permanente só pode ser encontrada em Deus. A alegria, vista nos carnavais, não tem nada a ver com Deus. Tal “alegria” vem da fantasia de se imaginar livre, solto, sem censura e sem limites, onde se pode ver sentir e fazer "o que der na cabeça".

O carnaval é uma festa em que a grande maioria das pessoas procura colocar de lado seus aborrecimentos, esquece as dívidas, afoga as mágoas na bebida e “cura” a solidão caindo na folia. No entanto, isto é um ledo engano que Satanás colocou no coração das pessoas, que para haver alegria é necessário que haja insensatez, falta de limites e libertinagem.

A dor provocada pelos excessos, promiscuidade, paixões desenfreadas e bebedeiras, trazem conseqüências que criam marcam profundas na vida das pessoas. Casamentos desfeitos, adolescentes grávidas, aumento das doenças sexualmente transmissíveis, roubos, furtos, mortes, etc. Além disso, podemos afirmar que, na realidade, toda esta folia pode estar escondendo um grande vazio atrás das máscaras e sorrisos. As pessoas tentam esconder ou esquecer algo nestes carnavais. Talvez uma mágoa, uma frustração na vida sentimental, uma grande decepção na família, amigos ou uma desilusão qualquer e se esquecem que a alegria do carnaval dura poucos dias.

Esta alegria é só uma fantasia. Na quarta-feira, tudo vira cinzas e é difícil de ser suportada. Alguns tentam prolongar um pouco mais esta fantasia e caem na folia mais alguns dias. Mas depois esta “alegria” tem seu fim. Cai-se na real. Volta-se à pobreza, à falta de emprego, de dinheiro, de perspectivas de crescimento pessoal, de falta de moradia digna, de miséria familiar.

Mas a alegria que encontramos em Deus não é passageira. Ela é fruto do nosso relacionamento íntimo com Deus. Uma alegria que pode realmente ser experimentada quando conhecemos o Senhor Jesus Cristo. Quando experimentamos o seu amor, seu perdão, e a vida nova que Ele nos dá. Davi declara: “na tua presença há plenitude de alegria...”(Sl 16:11a).

Podemos nos alegrar no Senhor (Fl 4.4). Esta alegria, sim, é permanente; dura todos os dias da vida e não apenas quatro dias. Ela é eterna, e permanece mesmo diante das circunstâncias e situações adversas, pois não depende delas.

Alegrai-vos, no Senhor.

Rev. Gildásio Reis